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CMQ
Centro de Métodos Quantitativos


USP ESALQ
Depto. de Ciências Florestais
ESALQ
UNIVERSIDADE de SÃO PAULO
Av. Pádua Dias, 11
Caixa Postal 09
13418-900 - Piracicaba - SP
BRASIL
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 CMQ: Centro de Métodos Quantitativos Centro de Métodos Quantitativos
Departamento de Ciências Florestais
Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO


LCF-130 Resolução de Problemas Florestais - 2009


Equipe 4: Técnicas de Implantação de APP/RL


Nome Email
Edgar Cutar Junior edgaredgaredgarcutar@hotmail.com
Julianne Oliveira Sbeghen Lima julianne.lima@usp.br
Guilherme Sinício de Barros guilerdo@hotmail.com
Renata Fragoso Potenza renata.potenza@usp.br
Roberto de Jesus Fabbrocini Gonçalves roberfago@hotmail.com

Parte 1: Desenvolvimento do Sub-Tema

Introdução

O meio ambiente não é passível de apropriação humana, é um bem de toda coletividade. O que pode ser utilizado pelos indivíduos são os elementos que compõe o meio ambiente, desde que observados os critérios legais e desde que haja uma apropriação exclusiva do bem ambiental.

O princípio do desenvolvimento sustentável é de grande importância na interpretação das questões ambientais, pelo qual as atividades econômicas devem ser compatíveis com os postulados ambientais dentro dos critérios definidos em lei.

O Brasil sempre foi um país basicamente agrário, porém, como tal, nunca teve uma política séria de preservação ambiental ou de controle dos danos causados à vegetação nativa. Como consequência, no estado de São Paulo, por exemplo, restam cerca de 13,4% de mata nativa (Secretaria Estadual do Meio Ambiente, 2002), e grande parte destas encontra-se em pequenos fragmentos isolados, no meio de pastagens, sem contato uns com os outros.

Com o objetivo de preservar as áreas ainda existentes e recuperar as já degradadas o governo delimitou as Áreas de Preservação Permanente (APP) e Reservas Legais.

De acordo com a lei, Áreas de Preservação Permanente (APP) são as florestas e demais formas de vegetação:

  • Ao longo de rios ou de qualquer curso d'água com largura proporcional à largura do curso d'água;
  • Ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais;
  • Nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados “olhos d'água”, qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura;
  • No topo de morros, montes, montanhas e serras;
  • Nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45o, equivalente a 100% na linha de maior declive;
  • Nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues;
  • Nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais;
  • Em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação.

Reserva Legal é a área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente. Sua utilização se faz necessária no uso sustentável dos recursos naturais, a conservação e reabilitação dos processos ecológicos, a conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas. Varia de 80% a 20% de acordo com o bioma e o tamanho da propriedade. (Lei Nº 7.803, de 18 de julho de 1989. ) Reserva Legal não se confunde com as APP´s, uma vez que nela é permitida a exploração econômica de forma sustentável.

Segundo resoluções da Secretaria de Meio Ambiente, devem ser plantadas no mínimo 80 espécies diferentes de plantas nativas, sendo priorizadas as plantas com risco de extinção. As mudas devem ser cuidadas durante um período mínimo de dois anos, com adubação durante o plantio e cuidados contra pragas (Resolução SMA nº 47 de 26 de novembro de 2003, Resolução SMA nº 44 de 30 de junho de 2008).

Desde a implantação dessa legislação, devido à intensa ocupação das terras, e às dificuldades de fiscalização por partes dos órgãos ambientais, as APP´s e a Reserva Legal não foram efetivamente implementadas.

Nesse relatório demonstraremos o estado atual das técnicas de implantação para recuperação de APP´s e Reservas Legais, com sua origem, os grupos sucessionais, modelos de plantação, método para obtenção de sementes nativas, o estado atual dos programas de implantação e a seguir uma breve discussão sobre o assunto.

Revisão Bibliográfica

No Brasil, assim como na maioria dos países, a degradação de áreas nativas e principalmente ciliares foi e continua sendo fruto da expansão desordenada das fronteiras agrícolas, sendo inexistentes, ou extremamente ineficientes, planejamentos ambientais prévios (Rodrigues & Gandolfi, 2000). Figliona (1995) diz que nos últimos quinze anos houve o acúmulo significativo de conhecimento sobre os processos envolvidos na dinâmica de formações naturais.

Iniciativas como a realização de simpósios sobre o tema têm despertado interesse para a conservação da biodiversidade e, com isto, importantes formações têm sido geradas e diversas novas abordagens vêm sendo incorporadas ao conhecimento existente sobre reflorestamento, recuperação e manejo de áreas florestais. (Barbosa, 2000).

Kageyama (2002) diz que a sucessão natural é um método a ser copiado quando queremos restaurar uma área degradada, e que o uso de espécies arbóreas pioneiras nos plantios mistos, criando condições de sombreamento para as espécies dos estágios posteriores da sucessão, foi o grande avanço nos modelos de restauração que vêm sendo utilizados com sucesso até o presente. (Kageyama & Patiño-Valera, 1985)

Na revegetação, devem-se envolver os diferentes grupos ecológicos sucessionais, arranjados de tal forma que suas exigências sejam atendidas pelos modelos. As espécies do estágio inicial da sucessão - as pioneiras ou sombreadoras – são importantes para que as espécies dos estágios finais (não pioneiras ou sombreadas) tenham condições adequadas para seu desenvolvimento (Macedo, 1993).

Inicialmente procurou-se utilizar os grupos sucessionais de Budowski (1965), ou: Pioneiras, Secundárias Inicias, Secundárias Tardias e Climácicas(ou Espécies Clímax). Crestana (1993) especificou cada grupo como:

Espécies Pioneiras: são encontradas principalmente em grandes clareiras, crescendo rápido e a pleno sol (heliófitas). Ocupam rapidamente a área deixando pouco espaço para a infestação de gramíneas. Produzem grande número de sementes em pouco tempo, colaborando para formação de um banco de sementes.

Espécies Secundárias (Iniciais e Tardias): produzem sementes que, ao chegarem ao solo, estão prontas para germinar, e o fazem mesmo a sombra, apesar de precisarem da luz de pequenas clareiras para crescer.

Espécies Climácicas(ou Clímax): não necessitam de luz solar para germinar e nem para se desenvolver. Muitas produzem frutos carnosos e grandes, que são atrativos para uma fauna incipiente.

No mesmo trabalho, Crestana também divide os diversos tipos de recomposição:

Regeneração natural: é o método aplicado em locais pouco perturbados, que mantém suas características bióticas básicas, tanto de flora, como de fauna.

Adensamento: acrescenta mudas de espécies secundárias e tardias em locais onde foram feitas explorações seletivas, eliminando certas espécies de valor comercial, mas também de grande importância na preservação.

Implantação de reflorestamento em áreas degradadas: Aplicado em áreas de exploração agrícola, geralmente distantes de reservas e mesmo de fragmentos de matas.

Vários modelos de implantação são citados por diversos autores, citamos aqui alguns dos mostrados por Kageyama (2002).

Considerando-se as pioneiras propriamente ditas e as secundárias iniciais como Pioneiras e as secundárias tardias e clímax como Não-Pioneiras temos, como exemplo de modelos:

  • Linhas de espécies pioneiras alternadas com linhas de espécies não-pioneiras;
  • Espécies pioneiras e espécies não-pioneiras alternadas na mesma linha;
  • Ilhas de pioneiras circundando ilhas de diversidade;
  • Linhas de preenchimento alternadas com linhas de diversidade.

Cada uma tem seus prós e contras e também são indicadas e contra indicadas, dependendo sempre dos objetivos, do estado inicial encontrado no campo e outros fatores.

Há também a necessidade de se incrementar os estudos sobre tecnologia e maturação de sementes, principalmente se tratando de espécies nativas, implementando assim os trabalhos de recuperação de áreas com diferentes graus de degradação.(Barbosa, 2000)

Se a intenção é a de recriar comunidades vegetais, a estrutura genética também deve ser replicada, aumentando a probabilidade de sobrevivência da comunidade por um longo tempo(Kageyama e Gandara, 2000).

Dentro das plantas superiores de florestas tropicais, principalmente espécies arbóreas, há polinização cruzada, e com uma alta taxa de cruzamento (Gandara, 1996). Esta alta taxa de cruzamento, aliada a outros motivos, faz com que muitas espécies apresentem grande variação genética dentro de populações e pouca diferenciação entre populações (Hamrick, 1992)

Desta forma, a colheita de sementes, com a finalidade de uma implantação florestal em pequena ou média escala, pode ser realizada em uma só população natural, pois cada população encerra grande parte da diversidade genética da espécie(Kageyama, 2000)

Em despeito a todo avanço na área de implantações florestais, a recuperação das áreas degradadas anda a ritmo muito lento, um dos fatores mais complexos a serem abordados é a adesão do dono da terra. Por força da legislação é possível aplicar punições que obrigam o proprietário a realizar os trabalhos de recuperação. Entretanto, deve ser lembrado que o produtor rural tem seu capital investido em suas terras e em determinadas regiões o tamanho das áreas de preservação permanente e reserva legal podem até mesmo comprometer a renda da propriedade e inviabilizar o investimento (Botelho & Davide, 2002).

A recuperação de áreas degradadas foi a única atividade florestal que recebeu, até hoje, créditos do mercado de carbono junto ao MDL. Dessa maneira, além da recuperação das áreas, pode-se ainda vender capital, pela venda do crédito de carbono das áreas recuperadas (Zanetti, 2007).

Os projetos para restauração florestal não tem atendido aos requisitos mínimos necessários para o restabelecimento dos processos ecológicos nas áreas em recuperação, requisitos estes relacionados principalmente com a diversidade florística e genética das florestas implantadas, além da falta de adesão dos donos das terras agredidas, e a falta de apoio governamental, tanto para a implantação como para a atração dos proprietários para que possa haver algum progresso no todo.(Kageyama, 2000)

Discussão

A implantação florestal em áreas de APP e RL, do modo como foi visto, tem raízes na utilização desordenada do solo, e sua aplicação atual tem como bases fundamentais de discussão a sucessão de espécies, a obtenção de sementes de espécies nativas, o modelo de implantação usado, e as dificuldades sociais e econômicas encontradas para conseguir efetivar a implantação.

O Código Florestal, diversas resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), e das Secretarias do Meio Ambiente, em especial a do estado de São Paulo, vêm tentando suprir essa carência legal existente até então em nosso país.

Em contrapartida ainda é muito difícil conseguir a adesão dos proprietários de terras em projetos de implantação florestal, por diversos motivos, alguns são:

  • A implantação em si é custosa, e pouco subsidiada pelo Governo Federal;
  • Há falta de projetos funcionais, de custo e manutenção viáveis para pequenos e médios produtores;
  • A área destinada às APPs e RLs, dependendo da região, por vezes inutiliza porções da propriedade essenciais para a renda do proprietário;

Em áreas pequenas há dificuldade em conseguir a sustentabilidade do fragmento florestal implantado, uma vez que, por serem pequenos e geralmente distantes entre si, forma-se uma barreira geográfica, que impede a passagem de animais, em especial de polinizadores, causando em médio e longo prazo, a tendência à extinção do fragmento.

Em áreas grandes a dificuldade é a busca por sementes, e por sementes de espécies variadas. A produção de mudas de espécies nativas ainda é muito limitada, e pouca diversidade é conseguida, diminuindo a variabilidade de espécies dentro da área a ser recuperada.

O atual desenvolvimento dos métodos de restauração de florestas tropicais permite afirmar que existe uma tecnologia viável para o uso no Brasil. Essa tecnologia progrediu muito nos últimos anos e tornou-se acessível e de custo relativamente baixo, se comparado a um passado próximo. O avanço da tecnologia também tem possibilitado uma melhora marcante na qualidade dos projetos de restauração, aproximando-os cada vez mais da meta: a restauração do ecossistema. No entanto, o custo operacional ainda é uma barreira importante para a implantação destes projetos, exigindo-se maior envolvimento de pesquisadores, governo e proprietários no desenvolvimento de tecnologias cada vez mais baratas e acessíveis.

O método utilizado antes e após o plantio, para o cuidado da área plantada, é de extrema importância. Feita uma comparação entre o modo tradicionalmente usado, com uma adubação de base, e capina até o segundo ano na linha de plantio, e um método com adubações corretivas, de base e de cobertura, e sempre livre de mato-competição; demonstra que o método mais cuidadoso tem menor mortalidade, apresenta uma taxa de absorção de carbono relevante, enquanto o modo tradicional não apresenta nenhuma absorção. Isso demonstra que as taxas de seqüestro são altamente dependentes do método silvicultural utilizado (Stape et al., 2007).

Além disso, a implantação florestal nessas áreas ainda passa por um processo mais amplo: a valoração desse ecossistema, tanto de seu valor indireto (qualidade da água, proteção contra erosões, etc.), como por seu valor direto através da utilização de produtos da floresta, principalmente os não-madeireiros. A possibilidade de remuneração pelo seu valor indireto, e a possibilidade de utilização de recursos não-madeireiros trará um considerável estímulo à restauração.

Além disso, nossa legislação também requer adequações para que as áreas sejam devidamente revegetadas, principalmente no que toca às pequenas propriedades, onde em muitos casos essas áreas ocupam uma alta proporção na terra total da propriedade.

Por último, deve-se enfatizar o papel preservacionista das áreas já revegetadas, onde o cuidado com o tamanho efetivo das populações das espécies implantadas pode deixá-las com a biodiversidade assegurada, podendo também servir como fonte de sementes de alta qualidade genética.

Parte 2 - Desenvolvimento do problema proposto

Introdução

As Áreas de Preservação Permanente são aquelas que devem ser revegetadas as nascentes, ainda que intermitentes, e os chamados olhos d'água num raio mínimo de 50 m em qualquer situação topográfica.

Também inclui a revegetação ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água, desde o nível mais alto, cuja largura mínima será de:

1)Trinta metros para cursos d'água com menos de 10 m de largura (Ribeirão Piracicamirim e demais córregos encontrados no Campus da ESALQ);

2)Cem metros para os cursos d’água que tenham entre 50 e 100 m de largura (Rio Piracicaba);

3)Cinquenta metros ao redor de lagoas, lagos, ou reservatórios d’água, naturais ou artificiais.

Esse parâmetro foi estabelecido Conforme a lei federal de n 4771, de 15/091965, que institui o Código Florestal vigente, alterada pela Medida Provisória nº 1956-57 de 14/12/2000, em seu artigo segundo que trata das Áreas de Preservação Permanente como o manuscrito acima.

O artigo 16 dessa mesma lei estabelece para a região de Piracicaba, SP, que a área destinada para Reserva Legal tem que ser de 20% do valor da área total da propriedade, isso fora das Áreas de Preservação Permanente, sendo permitidas nas áreas de reserva legal ocupadas por vegetação natural, atividades de manejo florestal, sem supressão total da vegetação.

Desde sua fundação a ESALQ agiu de maneira predatória, sendo apontada como principal causa disso a ocupação agrícola de Áreas de Preservação Permanente (APPs) e a locação das áreas destinadas para Reserva Legal (RLs). Isso se deve à inexistência de leis ambientais no passado que regulassem o uso de tais áreas.

Em função desse comportamento, no ano de 2003 foi elaborado o Programa de Adequação Ambiental do Campus Luiz de Queiroz, protocolado e aprovado pelo DEPRN, resultando no Termo de Ajustamento de Conduta assinado pelo Prof. Dr. Adolpho José Melfi, reitor da Universidade de São Paulo e pelo Dr. Fábio Salem Carvalho, Promotor de Justiça do Ministério Público do Estado de São Paulo, em 02 de fevereiro de 2004.

Contudo, o Programa de Adequação Ambiental do Campus corresponde basicamente às ações necessárias para a conservação, manejo e restauração das Áreas de Preservação Permanente e da Reserva Legal, conforme as exigências da legislação vigente e em função das características ambientais locais, definindo as áreas que devem ter destinação agrícola e áreas com destinação ambiental.

É importante fazer um diagnóstico das áreas degradadas, antes de serem recuperadas ambientalmente, pois assim é caracterizada a ocupação atual dessas áreas e principalmente o seu potencial de regeneração natural. Permitindo, portanto, a definição de ações de manejo que possibilitem o restabelecimento da vegetação natural mais rapidamente, o que resulta na redução dos custos dessa adequação ambiental.

Nesse diagnóstico é feito um zoneamento ambiental que constará em um mapa. Caracterizando as diferentes situações existentes (como tipo de vegetação, tamanho, etc.) para posterior recomendação de ações diferenciadas de conservação, manejo e restauração para cada uma das unidades ecológicas identificadas.

A ESALQ estabeleceu parceria com a ONG S.O. S Mata Atlântica por meio dos programas Florestas do Futuro e Click Árvore. Ambos os programas estão sendo monitorados pelo GADE (Grupo de Adequação Ambiental), constituído por alunos dos cursos de Gestão Ambiental, Engenharia Florestal e Engenharia Agronômica. A finalidade de desenvolver esses trabalhos com um grupo de alunos se deve à proposta educacional desse projeto, que está sendo implantado dentro de uma instituição de ensino superior, permitindo a complementação dos conhecimentos adquiridos em salas de aula, principalmente expondo os acadêmicos à realidade de questões ambientais e a interação entre instituições governamentais, iniciativa privada e academia.

O GADE visa à capacitação de seus alunos através do desenvolvimento de experimentos de pesquisa nas áreas de restauração do Campus, incluindo o teste e avaliação de diferentes metodologias de recuperação de áreas degradadas, produção de novas tecnologias de restauração e a implantação do processo de recomposição das áreas de preservação permanente. Os projetos estão sendo desenvolvidos com supervisão técnica de docentes da área de ecologia, solos e restauração florestal da ESALQ.

Nesse trabalho serão relatadas as áreas do campus que foram e as que faltam ser Recuperadas, indicando em algumas a quantidade de mudas plantadas, se obteve êxito e uma análise crítica sobre os métodos utilizados.

Objetivos

A Área de Preservação Permanente do Campus Luiz de Queiroz incluindo a Fazenda Experimental Areão totaliza 127,8 hectares. Destes, 3,7 ha encontram-se impossibilitados de recuperação por estarem ocupados por construções, 5,2 ha usados como áreas experimentais e acadêmicas e 59,9 ha representados por remanescentes florestais em vários estados de degradação. Dessa forma, restam 59 ha a serem recuperados com implantação total e 59,9 ha de florestas remanescentes para serem manejadas (controle de lianas e gramíneas), adensadas e enriquecidas.

No decorrer dos últimos cinco anos os esforços da ESALQ foram prioritariamente direcionados para a área de implantação total, ou seja, os 59 ha estabelecidos no TAC, dos quais 32,8ha (56%) já foram recuperados com implantação total. Desses 32,8 ha implantados, 7,9 ha foram pelo GADE e prefeitura do Campus, 21,4 ha por uma empresa em parceria com a Prefeitura do Campus “Luis de Queiroz”, GADE e SOS Mata Atlântica e os 3,5 ha restantes pela Diretoria da ESALQ na Fazenda Areão(observar tabela 1).

Ainda faltam serem restaurados 28 ha de APPs. Dessa área, 26 ha estarão sob a responsabilidade da SOS, por meio do Programa Floresta do Futuro, previsto para esse ano ainda. (ver tabela 2). Existem duas áreas, correspondentes a 0,86 ha, que não constam na tabela 2, estão sendo conduzidas para a regeneração natural. Essa condução e monitoramento estão sendo feitas pelo GADE. Além disso, 0,78ha não serão recuperadas por se localizarem a menos de 3 m da Rodovia Luiz de Queiroz, em área íngreme e de difícil acesso, sendo então uma área de risco para que for trabalhar em sua recuperação.

Tabela 1:

Áreas já recuperadas ou com plantio executado e já em processo de recuperação
Nome da área Responsável pela Implantação Data de Implantação Área (ha)
Genética Velha GADE nov/03 0,58
Genética Nova GADE mar/05 1,21
Fazenda Areão ESALQ 2001/2005 3,5
Área dos bixos GADE dez/03 0,42
Brasil 500 anos ESALQ set/00 0,14
Carvoaria GADE out/04 0,46
Sertãozinho e Lagoa GADE dez/03 e mar/05 0,96
Abacaxi GADE jan/04 0,36
Usina S.O.S mar/05 16,95
Margem Casa de Bombas S.O.S. mar/06 3
Margem da Lagoa e Nascente S.O.S mar/06 1,47
Área das Flores GADE jul/08 0,24
Pedreira GADE abr/08 0,24
TOTAL 29,53

Tabela 2:

Áreas a serem recuperadas
Nome da área Responsável pela Implantação Data de Implantação Área (ha)
SAF GADE out/08 0,18
Córrego da Genética Nova GADE dez/08 0,35
Aeroporto GADE jan/09 0,31
Entomologia GADE dez/08 0,25
Palmeiras GADE fev/08 0,45
Aterro GADE abr/08 0,68
Verdão e Arena GADE dez/03 e jan/09 1,03
TOTAL 32,78

Existe a elaboração de projetos que visam a aplicação do desenvolvimento de experimentos de pesquisa nessas áreas que foram e estão sendo recuperadas, isso inclui teste e avaliação de diferentes metodologias de recuperação de áreas degradadas, produção de novas tecnologias de restauração e a implantação do processo de recomposição das áreas de preservação permanente.

Os projetos são:

  • TOCA DO CASTOR: visa o controle da erosão hídrica de fácil implantação, que seja de baixo custo e proporcione a recuperação total da área. Esse projeto foi aplicado em uma área de APP localizada próxima a Estação de Tratamento de Esgoto, da APP do “Sertãozinho” e “Lagoa”.
  • NUCLEAÇÃO: apresenta como principal objetivo a análise de técnicas de nucleação que quando aplicadas em uma área a ser recuperada complemente o resgate da diversidade narural remanescente.

a) aeroporto: foi instaurado na área próxima ao aeroporto, onde existe um fragmento florestal. A princípio se utilizou adubação verde para competir com espécies agressivas, junto plantou-se algumas mudas na forma de núcleos e alguns poleiros artificiais para atrair avifauna. Para prosseguir com o projeto o próximo passo é a retirada da adubação verde, identificação das espécies regenerantes, instalação de novos poleiros, ampliação no número de mudas nos núcleos de alta diversidade e alocação da galharia.

b) reserva legal voluntária: serão testadas as técnicas de nucleação na área localizada após a APP do encontro do rio Piracicaba e do Ribeirão Piracicamirim. Atualmente não há atividades ocorrendo no local, porém existem espécies arbóreas se regenerando além de fragmentos florestais próximos, o que facilita a plicação das técnicas de nucleação.

  • ADUBAÇÃO ORGÂNICA: visa a comparação do desenvolvimento de mudas perante a substituição de fertilizantes químicos por adubos orgânicos, de uma forma ecologicamente sustentável e de baixo custo para pequenos produtores rurais.
  • POLEIROS ARTIFICIAIS: é considerado um dos artifícios das técnicas de nucleação, visa a atração de aves e morcegos com o intuito de acelerar a chegada de sementes e propágulos alóctones, também pretende criar ilhas de diversidade no entorno dos poleiros que, com o tempo, tendem a irradiar-se por toda a área degradada.
  • PROJETO SAF- SISTEMAS AGRO-FLORESTAIS: apresenta como objetivo fazer com que pequenos produtores utilizem o SAFs em áreas de APPs levando em conta as vantagens econômicas e ecológicas, além de ser uma alternativa para a obtenção de uma nova fonte de renda. Foi implantado em uma Área de Preservação Permanente do Ribeirão Piracicamirim, próxima à várzea e a Colônia do Bananal.
  • HIDROGEL: é um polímero hidro-retentor utilizado no plantio de espécies nativas, em mata ciliar, comparando com o plantio que utiliza a irrigação tradicional. Tem a finalidade de aumentar a sobrevivência das espécies em um ambiente muito seco. O local em que foi aplicado foi na APP do Ribeirão de Piracicamirim, próxima ao projeto SAF.
  • PARCELAS PERMANENTES: a instalação de parcelas permanentes nas áreas de recuperação do campus da ESALQ tem como finalidade realizar o monitoramento e acompanhamento do desenvolvimento de áreas em processo de recuperação, a partir do levantamento e processamento de dados como a altura e DAP das mudas e árvores localizadas nas parcelas nas florestas plantadas.

A área de Reserva Legal do campus que corresponde aos 20% é de 174,87ha , no qual está se incluindo os remanescentes florestais (localizados fora de APP), os maciços florestais do projeto paisagístico do Campus (exceto aqueles localizados em áreas urbanizadas), maciços de espécies florestais exóticas e nativas, os plantios de Pinus e Eucaliptos que apresentam elevada regeneração natural, e a área com sistema agroflorestal localizada na Fazenda Areião. Todas essas regiões citadas somam 45,78ha, o que corresponde a 26,17% da áreas destinada a Reserva legal.

Além disso será acrescido a esses 174,87 ha como complementação 129,09 ha, sendo indicadas as áreas de baixa aptidão agrícola (como áreas com afloramento rochoso e áreas íngremes), corredores ecológicos (como trechos localizados entre fragmentos florestais) e trechos ao longo de divisas do Campus.

Nas áreas de Reserva Legal já existentes (exceto o Sistema Agroflorestal localizado na Fazenda Areião), representados por fragmentos florestais remanescentes, maciços compostos de espécies exóticas e nativas, e áreas de plantios florestais comerciais com elevada regeneração natural, serão conduzidos visando a restauração florestal. Já nas áreas de complementação deverá ser implantado Sistemas Agroflorestais, com o objetivo de se agregar retorno econômico.

Contudo os principais objetivos são o de diagnosticar o uso e ocupação das Áreas de Preservação Permanente (APP) e dos trechos ocupados com remanescentes naturais; caracterizar os remanescentes naturais do Campus, quanto às espécies ocorrentes e o grau de degradação; elaborar um programa para conservação, manejo e restauração das formações naturais remanescentes, das áreas de preservação permanente e outras áreas inaptas às práticas agrícolas, visando a adequação ambiental e legal das atividades agrícolas desenvolvidas no Campus; indicar áreas com vocação ambiental para a complementação da reserva legal.

Material e Métodos

Para obter as informações contidas nesse trabalho foram feitas entrevistas com o grupo de adequação ambiental (GADE) e também foi utilizado como objeto de estudo o Plano de Adequação Ambiental do Campus “Luiz de Queiroz”.

Foram também utilizados indicadores para avaliação da qualidade dos projetos de restauração, sendo levado em conta os aspectos silviculturais, se estão cumprindo o que a lei exige e se estão ou não cumprindo os aspectos legais.

Resultados e Discussão

No total foram visitadas quatro áreas de APP, sendo elas o Sertãozinho, Lagoa, Aeroporto e Áreas das flores.

Sertãozinho: Antes da área ser implantada, estava totalmente abandonada e dominada por capim colonião e leucenas. Em dezembro de 2003 a área foi implantada com 1.200 mudas. Atualmente, seguindo o plano de monitoramento, encontra-se com mudas em que a média das alturas é de 4,8 metros e o DAP médio para árvores com DAP maior que 5cm é de 10,16 cm, sendo 35 o número de indivíduos amostrados com diâmetro maior que 5cm.

Lagoa: A região foi implantada em março de 2005 onde foram plantadas 400 mudas. Através de uma amostragem obteve-se que a média das alturas é de 3,68 metros e o DAP médio para árvores com DAP maior que 5cm é de 6,98 cm, sendo 28 o número de indivíduos amostrados com diâmetro maior que 5cm.

Aeroporto: Foi implantada em outubro de 2006 com a utilização de 130 mudas, essa área é utilizada para o desenvolvimento do Projeto de usos de técnicas de nucleação que é aplicado em um trecho de floresta. As mudas alcançaram um significativo crescimento (em média 1,5m) e as regenerações foram estaqueadas e passarão por um levantamento florístico. Também está sendo plantadas novas mudas para ampliação dos núcleos de alta diversidade.

Área das flores: Essa área foi utilizada tradicionalmente para pastagens de gado. Sua implantação ocorreu em julho de 2008 com a aplicação do polímero hidro-retentor citado anteriormente. O desenvolvimento das mudas está sendo medido mensalmente, com o propósito de comparar a eficácia do produto.

Além do que já foi relatado dessas áreas é feio a retirada das espécies invasoras do local, junto é feita a aplicação, como recurso ao combate das mesmas, de herbicidas o qual tem muito ajudado para o efeito esperado.

Quanto as áreas destinadas à RL, não houve ainda implantação, devido constar no Plano de Adequação Ambiental que as mesmas só seriam implantadas após todas as APPs tiverem sido. Existe uma área denominada de Reserva legal voluntária a qual se encontra com algumas espécies arbóreas se regenerando no local, contribuindo bastante para a aplicação do projeto definido para a região que é o de nucleação.

Nessa áreas que foram implantadas houveram perdas, mas nada que tenha superado a quantidade de mudas que foram plantadas, e em decorrência foi necessário o replantio.

Contudo as metodologias utilizadas estão em nível compatível às áreas em que estão sendo aplicadas e se tem obtido êxito no que vem sendo feito, exceto na Área das flores o qual a aplicação do hidrogel era para testar o desenvolvimento das mudas em período de estiagens, porém o inverno de Piracicaba no ano de 2008 foi atípico e choveu, não sendo por esse motivo capaz de verificar a eficiência do produto e do projeto.

Conclusão

No que se refere a delimitação das áreas destinadas para APP e RL, o Campus “Luiz de Queiroz” está de acordo com a legislação. Agora com relação as áreas recuperadas, apesar de estarem sendo reconstituídas, não se tem como saber exatamente se as técnicas de implantação estão sendo efetivas pois o período de recuperação de um um fragmento florestal é longo, podendo demorar anos.

Anexos

img218.imageshack.us_img218_9764_90287476.jpg Sertãozinho

img229.imageshack.us_img229_406_82232296.jpg Lagoa

img229.imageshack.us_img229_184_94196551.jpg Aeroporto

img40.imageshack.us_img40_2957_72700964.jpg Área das Flores

Bibliografia

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GADE - Grupo De Adequação Ambiental - ESALQ, Piracicaba

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