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Centro de Métodos Quantitativos


USP ESALQ
Depto. de Ciências Florestais
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UNIVERSIDADE de SÃO PAULO
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Centro de Métodos Quantitativos

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”
Departamento de Ciências Florestais

LCF 5875 Oficina de Ensino Superior

Resenha da Aula 1: 09/04/2010

GRUPO

  • Ângela Freitag
  • Cláudia Nogueira
  • Flávia Lordello Piedade
  • Helena Lemos dos Reis Magalhães Gomes
  • Júlia Teixeira Machado

AULA 1 – FILOSOFIA E CONHECIMENTO

Os docentes iniciaram a aula com uma atividade lúdica para que os alunos pudessem se apresentar. Cada aluno pode se desenhar, listar suas características e também expressar suas expectativas sobre a disciplina. Para apresentação, foram formadas duplas que trocaram essas informações e dividiram com o restante do grupo.

Posteriormente, os professores discutiram o tema “Docência Universitária” onde relataram suas experiências na docência. Inicialmente, o professor Marcos relatou a importância que o afeto tem no processo de aprendizagem, sendo importantíssimo que o docente conheça o mundo do seu aluno, o seu nome, sua linguagem para que haja um maior envolvimento neste processo. Assim é necessário haver segurança no processo de ensino-aprendizagem, pois o aprendizado ocorre muito além do ato de ensinar. Em suma, todo processo educacional tem uma intencionalidade, portanto, educar é um ato político.

Já o professor João demonstrou a peculiaridade que o ensino superior tem em ser a única etapa do ensino que formam mestres. Com isso, há uma relação diferenciada entre professor/aluno (denominado pelo professor, por analogia, como mestre/aprendiz): apesar do mestre ensinar conteúdos, seus aprendizes já possuem experiências que não deverão ser ignoradas por aqueles. Assim, espera-se que ao finalizar o ensino superior, o aprendiz torne-se mestre.

Por fim, a professora Teresa após falar sobre sua experiência profissional concluiu que a missão do docente é auxiliar os alunos na construção de suas argumentações sobre os diversos conceitos e, com isso, saiam do “achismo” e construam suas opiniões a partir de conceitos técnicos. A professora também ressaltou que o ato de reconhecer as deficiências enquanto docente não é uma desqualificação, mas sim o primeiro passo para o aprimoramento da prática docente.

No período da tarde, o professor João iniciou a aula apresentando o site da disciplina, momento em que também se discutiram questões sobre o andamento da mesma.

Após, os alunos fizeram a leitura dos textos “Para entender o Trivium”, de José Monir Nasser e “As artes liberais”, de Miriam Joseph que foram discutidos em grupos, buscando compreender a utopia dos autores e se o grupo concordava com a mesma. Após esta leitura, os alunos debateram os textos e, posteriormente, o professor João fez suas colocações. Destaque para os seguintes pontos: a comunicação que a autora menciona não pode ser entendida como o diálogo entre pessoas, mas sim como o processo de aprendizagem. Além disso, nas artes liberais, a ação começa e termina no agente, daí a construção de um saber intransitivo.

O texto estabelece diferenças entre o processo de ensino e o processo da educação: aquele com abordagem utilitária e este com uma abordagem do conhecimento. Refletindo o texto, concluímos que a educação precisa estar deslocada, em um primeiro momento, do trabalho profissional. A ideia que o Trivium nos inspira é de uma educação voltada para formação do ser humano, tornando-o livre, capaz de refletir sobre sua posição no mundo, ou seja, tornar-se livre para se assumir. Esta é a nossa utopia de educação!

ANEXO

Uma das falas da turma, que veio à tona a respeito dos desafios de se aplicar uma proposta de educação que se aproximasse do “trivium” em nosso sistema de ensino atual, foi a questão do tempo. Afinal, seria possível propôr uma formação assim, por exemplo, numa universidade, em que os conteúdos básicos para formar o profissional naquela área, já levam 5 anos?

O par antagônico de palavras que norteou nossa reflexão foi JORNADA x META.

A velha história de nos preocuparmos com o processo, estando flexíveis para as alterações que ele apontar necessárias, ou preocuparmo-nos com o resultado, prendendo o processo ao um único fator relevante: cumprir a meta.

Lembrei-me, então de uma história de amor que conheci quando criança, e fala um pouco dessa dualidade.

É um poeta da idade média, naturalmente educado de forma libertária, que conheceu e viveu aquelas artes liberais (trivium, quatrivium…). Por isso, sua formação permitiu que ele conhecesse e experimentasse, de forma bem orgânica, tanto o mundo das idéias, da mente - trivium (retórica, gramática e lógica), quanto o mundo das coisas e da matéria - quadrivium (aritmética, geometria, astronomia e música). Por falar em música, esqueci de contar que, além de poeta, ele era compositor.

Poeta e músico, um dia, voltando de um passeio, aconteceu um fato estranhíssimo: ele encontou um objeto muito estranho. Composto de formas, elementos e um brilho que ele nunca havia visto antes. Era um barômetro.

Ao lado do barômetro, estava uma garota. Por quem ele, de súbito, se apaixonou. Conversando com ela, o nosso jovem poeta e músico da idade média, entendeu por que ela era tão diferente. Ela vinha do século XXI. Numa aventura de tentar realizar um desafio matemático proposto pelo professor de trigonometria, ela sofreu um acidente misterioso que não quis contar, e acabou indo parar no passado. E aí, cabe aqui contarmos que ela vinha de uma formação muito diferente dele. Nunca ouvira falar do trivium, quadrivium, nem de artes liberais.

O nosso jovem músico e poeta e a nossa jovem desbravadora de barômetros, se apaixonaram… mas não por muito tempo… As diferenças de época, de entendimento do mundo falaram mais alto. Era difícil para ela e para ele conectarem suas verdades. Não é de se estranhar. Ele, mesmo tendo aprendido tanto sobre gramática, retórica, lógica, não conseguiu, com ela, constituir uma unicidade compartilhada. Vocês lembram dessa fala do instrutor João?

“Eu só entendo o que você me diz se a gramática surtir em mim a experiência que você teve”.

Eu não posso, aqui, contar mais muito sobre o que aconteceu entre o casal da história. Mesmo porque não fiquei sabendo o fim. Eu só soube que numa tarde, a jovem conseguiu voltar pro tempo de onde veio. Mas gostaria de cantar pra vocês a música que ele fez pra ela e confessar que eu aprendi muito com ele:

A SETA E O ALVO (Paulinho Moska)

Eu falo de amor à vida,
Você de medo da morte.
Eu falo da força do acaso
E você de azar ou sorte.

Eu ando num labirinto
E você numa estrada em linha reta.
Te chamo pra festa,
Mas você só quer atingir sua meta.
Sua meta é a seta no alvo,
Mas o alvo, na certa, não te espera.

Eu olho pro infinito
E você de óculos escuros.
Eu digo: “Te amo!”
E você só acredita quando eu juro.

Eu lanço minha alma no espaço,
Você pisa os pés na terra.
Eu experimento o futuro
E você só lamenta não ser o que era.
E o que era?
Era a seta no alvo,
Mas o alvo, na certa, não te espera.

Eu grito por liberdade,
Você deixa a porta se fechar.

Eu quero saber a verdade
E você se preocupa em não se machucar.

Eu corro todos os riscos,
Você diz que não tem mais vontade.
Eu me ofereço inteiro
E você se satisfaz com metade.
É a meta de uma seta no alvo,
Mas o alvo, na certa não te espera!

Então me diz qual é a graça
De já saber o fim da estrada,
Quando se parte rumo ao nada?

publico/syllabvs/lcf5875/2010/resenha-aula-1.txt · Última modificação: 2015/08/10 20:48 (edição externa)